Archive for julho \30\UTC 2010

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Pontuando a vida

julho 30, 2010

Há algum tempo esta tem sido minha busca diária: pontuar minha vida, decidir todos os dias o que fica e o que termina. Também tenho parado para reler minha história e perceber onde pontuei errado. Frases que deveriam ter recebido ponto final, ou ao contrário, em que eu coloquei ponto final e deveriam ter continuação.

Dificil decidir, mas necessário.

Um texto sem pontuação é praticamente impossível de ser lido. O sentido das palavras e das frases se perdem e no meio do texto já não se sabe do que se está falando. Em nossa vida não é diferente. Se não pontuamos nossa história, se não damos atenção às nossas linhas, vai chegar um momento que já não saberemos o que estamos escrevendo, onde chegará nosso texto.

Certa vez, fui mal em uma apresentação de canto, o que me deixou muito entristecida, por ter ensaiado, me dedicado. Mas na hora fiquei nervosa e não cantei como deveria. Fiquei remoendo essa situação durante muito tempo naquele dia, não conseguia me desfazer da frustração.  Mais tarde, conversando com meu marido pela internet ele me disse: “Querida, errar faz parte, põe ponto final nisso, aprenda com o que errou e vá pra frente!”. Daquele dia em diante, mais que me livrar da frustração de ter cantado mal, o Marcelo abriu meus olhos para tantas outras frustrações que eu carregava comigo por não ter colocado ponto final “nessas histórias”.

Todos nós escrevemos frases mal formuladas. Tantas gostaríamos de apagar. Apagar não podemos, mas podemos terminá-las, em vez de colocar vírgulas e começar uma nova frase e se errarmos denovo…começamos de novo…

Essa é a benção da vida, poder colocar pontos finais e recomeçar a escrever a nossa história. Aprendendo a escrever de frase em frase, de palavra em palavra…de ponto em ponto. Os erros na alfabetização da vida nos ensinam a acertar, se não ficamos parados neles.

Carol

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Ouvir, ver e reagir

julho 26, 2010

O que temos visto e ouvido do Senhor? Será que temos dado valor e atenção à Sua voz e Presença? Ou já não nos importamos mais. Já nos acostumamos e perdemos o desejo, a vontade de conhecê-lo mais, ouvir Sua voz, estar com Ele.

Lendo o Antigo Testamento, conhecemos histórias de homens que passaram a vida toda desejando mais de Deus, sua Palavra, Seu mover. Quando o Senhor lhes falava, seus corações se enchiam e suas vidas eram transformadas. Quantos mudaram radicalmente seu caminho pelo encontro com o Senhor? E nós, que podemos experimentar isso todos os dias, todo momento, preferimos a distância, a ignorância espiritual, que não nos tira do nosso comodismo.

No texto do Evangelho de Mateus 13, 16-17, o próprio Jesus fala isso aos seus discípulos: “Felizes sois vós, por que vossos olhos vêem e vossos ouvidos ouvem. Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejavam ver o que vedes, e não viram, desejavam ouvir o que ouvis, e não ouviram”.

Nós somos o povo que pode entrar no Santo dos santos. Aqueles que são fruto da promessa: todos os povos da terra reconhecerão que Ele é Senhor e Salvador. Mas, muitas vezes, escolhemos não estar com Ele , nem conhecê-Lo. Não aproveitamos Sua Presença e Sua amizade.

Esta semana queremos redobrar nossa atenção à voz de Deus e à Sua Presença. O Senhor nos chama a viver as bençãos da Salvação, a começar por podermos nos aproximar Dele com confiança. Que não sejamos surdos e cegos ao Senhor que está perto de nós.  Hoje, podemos ter a experiência pessoal com Aquele que se entregou para conquistar nossa liberdade e poderemos ser chamados de “felizes”, “bem aventurados”, por que ouvimos, vimos e respondemos ao Senhor.

No Amor do Amado

Carol

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“Uma só coisa é necessária”

julho 19, 2010

Naquele tempo,Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava sua palavra.
Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!”
O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”. (Lucas 10, 38-42)

Quantas vezes precisaremos ouvir ou ler isso para entendermos que o Senhor deseja mais relacionamento do que serviço? Que o que fazemos só tem sentido se conhecemos Aquele que nos chamou, nos escolheu, salvou e enviou?

“Marta, Marta, você se preocupa com tantas coisas, mas só uma é necessária!” É isso que o Senhor diz a cada um de nós : “você se preocupa com tantas coisas, mas só uma é necessária!”

Mas o que é necessário? Jesus continua a dizer: “Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”. Escolher a mehor parte: o próprio Deus. Saber a hora de parar tudo e estar somente com Ele. Não para resolvermos nossos problemas, aquietarmos nossos corações ou recebermos graças e bençãos, mesmo sabendo que é impossível estar com o Senhor sem receber o que precisamos. Estar com Ele para o conhecer mais.

Jesus não veio ao mundo para criar uma empresa de propagação das Suas idéias e contratar funcionários eficázes para que, quando Ele voltasse ao Pai, essas idéias continuassem a ser levadas a todo lugar. Não! Ele veio, justamente, para nos revelar a proximidade de Deus, tão esquecida pelos homens, imersos nas leis, na doutrina, nas práticas religiosas e no desejo de sempre fazer mais. Fazer, fazer, fazer, quando o Senhor nos convida a ser. Ser Seus conhecidos, Seus amigos, íntimos do Seu coração.

Mais uma vez, somos convidados a confrontar essa Palavra com a nossa vida. Jesus não condena Marta por querer cuidar de tudo, arrumar as coisas, agradá-Lo, mas deixa claro que o que Ele queria mesmo é que ela estivesse ali, junto com Maria para conhecê-Lo mais e receber razão para fazer todo o resto e que a escolha por Ele seria a melhor naquele momento.

Muitas vezes nos perdemos em nossos trabalhos e compromissos na Igreja, por que não reservamos tempo para estar com Aquele que dá sentido a todo esse empenho que temos tido em anunciá-Lo. O importante é escolher estar com o Senhor, por que no fim, só Ele nos restará.

No Amor do Amado

Carol

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Vivendo na Verdade

julho 12, 2010

“Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos; não preciso dos novilhos de tua casa nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos.
“Como ousas repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios!
Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? É disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos”.
Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que honra de verdade. A todo homem que procede retamente eu mostrarei a salvação que vem de Deus.”

Salmo 49

Diante de tamanha exortação do Senhor não podemos ficar alheios e cegos à nossa realidade espiritual. Precisamos olhar para nós mesmos. Parar de fingir religiosidade, parar de apenas trazer nos lábios a Palavra da Salvação e começar a viver a Salvação.

Também podemos trazer à memória o Evangelho de Lucas, no capítulo 10, onde encontramos Marta e Maria que recebem Jesus em sua casa. Jesus não condena Marta por não parar, por cuidar das coisas, por estar fazendo os trabalhos, sabia do zelo que ela tinha por Ele, sabia do seu  carinho, mas deixou claro que Maria escolheu a melhor parte, que era aproveitar a presença do Senhor, que depois iria embora e ela poderia voltar aos trabalhos.

De que nos adianta saber toda a Bíblia de cor, todos os preceitos e sermos vazios da Presença de Deus? De que nos adianta o conhecimento sem o Espírito. De que nos adianta irmos à Igreja todas as semanas se não somos transformados e não ficamos mais próximos de Deus e também dos irmãos?

O Senhor nos convoca à verdade, ao verdadeiro relacionamento, longe da superficialidade do tradicionalismo e falsa religiosidade. O Senhor prefere o coração a qualquer outra oferta que possamos querer dar, a verdade de nossa realidade de vida, do que as mentiras da falsa religião que vivemos. Cumprir preceitos diantes dos homens é fácil, mas não é o que atrai a Presença de Deus sobre nossas vidas.

Um coração adorador, rendido, quebrantado, consciente de seus limites, aberto ao mover de Deus, misericordioso com o próximo, como nos recordou o Evangelho deste domingo, do Bom samaritano, isso atrai a amizade de Deus. Quando nossa busca for essa, todos os preceitos, todas as nossas ações na Igreja se tornarão naturais e não mera atuação cristã e aí o Senhor nos aceitará, aceitará nosso sacrifício de Louvor, nossa vida.

Que esta seja nossa oração esta semana. Que o Espírito nos leve à verdade do que estamos vivendo e nos faça voltar ao caminho de relacionamento com o Senhor.

No Amor do Amado

Carol

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Não mais “meu Baal”

julho 5, 2010

Leitura da Profecia de Oséias.

Assim fala o Senhor: 16Eis que eu a vou seduzir, levando-a à solidão, onde lhe falarei ao coração; 17be ela aí responderá ao compromisso, como nos dias de sua juventude, nos dias da sua vinda da terra do Egito.
18Acontecerá nesse dia, diz o Senhor, que ela me chamará ‘Meu marido’, e não mais chamará ‘Meu Baal’. 21Eu te desposarei para sempre; eu te desposarei conforme as sanções da justiça e conforme as práticas da misericórdia. 22Eu te desposarei para manter fidelidade e tu conhecerás o Senhor.

Esta Palavra vem nos fazer continuar nosso caminho de resposta à pergunta de Jesus: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Aqui, o Senhor fala que mais uma vez vai seduzir seu povo, vai levá-lo ao lugar secreto, ao deserto, onde nada mais exista a não ser o próprio Senhor. Ali Ele se dá a conhecer.

Baal era uma estátua, um deus, que não via, não ouvia, não respondia, não tocava, não amava.  Mas, muitas vezes, o povo de Deus preferiu o Baal ao Senhor, que ouve, fala, toca, ama. Somos tentados a questionar a atitude desse povo, quando na verdade, esse trecho bíblico é a expressão de nosso próprio relacionamento com Deus.

Muitas vezes temos tratado o Senhor como Baal. Temos um Deus, mas o tratamos como Baal. Não queremos um Deus que questione nossa vida, nossas atitudes, nossas escolhas. Não queremos um Deus que fale, que toque, que transforme, nos tire da zona de conforto. Queremos um Baal. Que apenas fique ali e que se precisarmos vamos lá e descarregamos nossas inquietações e nossas dúvidas. Ele se torna um amuleto de sorte. Esquecemos que é uma Pessoa.

Nessa Palavra, o Senhor diz que seduzirá mais uma vez a sua amada, a Igreja, eu e você. Nos levará à solidão, nos recordará dos votos de nossa juventude, do amor que tínhamos pelo Senhor e que o ativismo muitas vezes esfriou. Ainda diz: “Acontecerá nesse dia, diz o Senhor, que ela me chamará ‘Meu marido’, e não mais chamará ‘Meu Baal’.”

Marido. Eu tenho um bom marido. Faz 11 anos que estamos juntos, contando tempo de namoro, noivado e casamento. O Marcelo me conhece. Sabe quando pode falar, mas quando deve esperar também. Eu confio nele e ele confia em mim. De olhar um para o outro sabemos se está tudo bem ou não. Não dá pra ser casado sozinho. Só há casamento com intimidade e relacionamento, embora muitos vivam assim. Ter a aliança no dedo não faz o casamento. Manter casa arrumada e contas conjuntas pagas, não faz casamento. Dia a dia faz. Revelar o coração, mostrar a verdade, tirar as máscaras, diálogo, carinho, isso faz casamento.

É esse relacionamento que somos convidados a ter com o Senhor. Relacionamento de intimidade e conhecimento. Relacionamento de confiança, de amor, de diálogo, de verdade.

A Igreja é a Noiva de Cristo que muitas vezes se esquece de cuidar do seu casamento. Ele está sempre lá, esperando um olhar, um momento. Esperando que Sua Presença seja mais importante que qualquer outra coisa, trabalho ou responsabilidade. Esperando que entendamos que tudo que fazemos só terá sentido se tivermos um relacionamento com o Senhor de todas as coisas. Se não, tudo é vão e vazio. Aliança no dedo, sem valor algum.

Mais uma vez o Senhor pergunta: “Quem sou eu para vocês?” Marido ou Baal.

No Amor do Amado

Carol

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Escolher a faxina

julho 1, 2010

Quem já não fez faxina em sua vida, arrumou um armário, um guarda roupa, uma gaveta de papéis. E quem de nós não quis desistir no meio do caminho, quando o que estava dentro foi colocado pra fora e bagunçou ainda mais do que já estava?

É…realmente não é fácil fazer faxina.

Aos desorganizados e com pouca esperança, por que não acreditam que a faxina vá durar muito tempo. Já se imaginam bagunçando tudo de novo e quase sempre desistem no meio do caminho pela falta de confiança de que conseguiriam mudar.

Aos acomodados ,por que muitas vezes preferem a aparência mesmo. Não se importam em viver na bagunça, com tanto que quem chegar não a veja. está bom assim!

Aos apegados,  difícil se desfazer de coisas que não servem mais, por que ainda acreditam que um dia…ah…um dia…vão precisar daquilo, talvez a moda volte …sempre volta. Mas tem moda que não queremos mais, não voltará jamais, deu errado e todos querem esquecer, menos os apegados. E também acreditam firmemente que tudo, tudo mesmo, que existe lá dentro é muito importante e não há menor chance de serem retirados…mesmo que já não tenham a mínima idéia do que estão guardando.

Aos afobados, impacientes, também é difícil, correm o risco de se desfazerem de coisas importantes, em nome da limpeza e também para que se faça logo a faxina.  Dizem “Vou acabar logo com isso! Jogar tudo fora e começae de novo!”  e as vezes se veem desprovidos de tudo, de coisas necessárias e talvez essenciais para continuar. Não é colocando fogo em tudo que arrumamos um armário. Há coisas que precisam sair, facilmente reconhecidas, as vezes não tão facilmente assim. Mas há coisas que precisam ficar. Tudo precisa ser bem analisado e decidido.

Pois é. Fazer faxina é um ato de coragem. Tirar o que aparentemente está preso e “arrumado” em algum lugar, escondido.  Corajoso é aquele que não quer viver a aparência do quarto arrumado, por que sabe como estão as gavetas, as prateleiras, os cabides, debaixo da cama.  Corajoso é aquele que sabe que se começar e parar no meio a bagunça será muito maior, mas mesmo assim decide pela faxina. Corajoso é aquele que sabe que encontrará coisas inúteis guardadas, também coisas que não usa mais, mas que trazem lembranças, as vezes boas, as vezes não tão boas assim, mas que o mantém em um certo momento de sua vida, e decide rever tudo, decide escolher o que volta e o que vai embora. Corajoso é aquele que decide passar o tempo da faxina, demorando quanto for, mas escolhe ir até o final, até a organização completa. Corajoso é aquele que revê valores, revê os lugares das coisas, revê a necessidade, a importância e tem coragem de tirar para dar espaço ao novo. Dar espaço ao novo que ainda não chegou.

É assim…faxina é assim…parece que estátudo “de perna pra cima”, que não vamos dar conta, mas quando terminamos…ah! quando terminamos, podemos admirar o trabalho concluído com sucesso. Muitas vezes, depoisd e terminar uma faxina no guarda roupa eu abria ele várias vezes pra olhar. A satisfação de saber tudo onde está e o que está é maravilhosa.

Trazendo para nossa vida com Deus, em Deus, não é diferente. As vezes, nos vemos apegados, preguiçosos, acomodados, afobados, desesperançosos, impacientes com a faxina que Deus está fazendo. As vezes, fechamos as portas e não deixamos que Ele mecha em nossas coisas, descubra o escondido. Preferimos mostrar o arrumado por fora. Como se Ele não soubesse como estamos por dentro!

É preciso escolher a faxina, enquanto houver bagunça, enquanto a obra não estiver terminada. É preciso escolher a faxina e deixar Deus tirar o que nos parece ter valor  imensurável, mas que na verdade não tem valor algum e não deixa espaço para no novo que vem.

Escolha deixar Deus fazer a faxina sempre. Mesmo que o entendimento não acompanhe o que Ele deixa ficar o que Ele faz sair. No fim, olharemos para tudo e veremos que maravilhosa obra faz o Senhor em nossas vidas.

No Amor do Amado

Carol