
Que sejam um!
Maio 18, 2009Estamos caminhando para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e também do nosso I Fórum Ecumênico Adorai. Mas o que é ser Ecumênico? De onde veio essa proposta? Quais são os meios para sermos ecumênicos? São tantas perguntas que chegam a nós, que decidimos começar, nessas duas semanas que antecedem nosso evento, um estudo sobre o documento UNITATIS REDINTEGRATIO. Este Documento da Igreja vem nos trazer respostas para nossos corações e mais que isso, plantar em nós o desejo de realmente cumprirmos a vontade de Jesus: “Sejam um para que o mundo creia!”(João 17, 21).
Promover a unidade entre os cristãos é o objetivo do Concílio Ecumênico Vaticano II. Vemos já na primeira frase do Documento esta verdade e também a afirmação de que Jesus fundou uma só Igreja, embora hoje encontramos muitas Comunhões, que apresentam um Jesus dividido, o que não é vontade de Cristo, um escândalo para o mundo e prejudicial à Pregação do Evangelho. Enquanto tentamos a todo custo defender “nosso lado”, abandonamos a possibilidade de JUNTOS alcançarmos os que ainda não crêem. Muitas vezes ficamos satisfeitos com aqueles irmãos ou irmãs que abandonam suas igrejas para fazer parte da nossa, quando na verdade deveríamos estar preocupados com os que não freqüentam a Igreja e estão afastados da fé e de Deus.
“O Senhor dos séculos, porém, prossegue sábia e pacientemente o plano de sua graça a favor de nós pecadores. Começou ultimamente a infundir de modo mais abundante nos cristãos separados entre si a compunção de coração e o desejo de união. Por toda a parte, muitos homens sentiram o impulso desta graça. Também surgiu entre os nossos irmãos separados, por moção da graça do Espírito Santo, um movimento cada vez mais intenso em ordem à restauração da unidade de todos os cristãos. Este movimento de unidade é chamado ecumênico. Participam dele os que invocam Deus Trino e confessam a Cristo como Senhor e Salvador, não só individualmente, mas também reunidos em assembléias. Cada qual afirma que o grupo onde ouviu o Evangelho é Igreja sua e de Deus. Quase todos, se bem que de modo diverso, aspiram a uma Igreja de Deus una e visível, que seja verdadeiramente universal e enviada ao mundo inteiro, a fim de que o mundo se converta ao Evangelho e assim seja salvo, para glória de Deus.” (Unitatis Redintegration, proêmio, 1)
Acreditar no Ecumenismo é acreditar no plano de Jesus, que veio para fazer do povos divididos realmente um só povo de Deus, sem com isso, perderem suas particularidades (identidades). O maior exemplo de ecumenismo vem do próprio Deus: Três pessoas na comunhão da única Divindade. Pessoas distintas e totalmente unidas. Um sendo três e três sendo um. Pluralidade sem divisão (que não divide), Unidade (que não confunde). Assim é o movimento ecumênico: Ser diferentes, sem ser divididos, e nos unirmos sem perdermos nossas particularidades como igreja. Reconhecer no outro o Rosto e as marcas de Cristo. Reconhecer na adoração que o outro eleva a Deus uma manifestação do amor de um povo pelo Seu Salvador. Salvador de toda a humanidade. O primeiro passo para o Ecumenismo acontecer é o abandono do julgamento entre os irmãos, de palavras e ações que atrapalham, senão rompem, o relacionamento entre as igrejas.
A vontade de Deus é ver que se Seu povo se ama:” Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei!” ( Evangelho deste Domingo, 17 de maio, na Liturgia Católica). Jesus amou profundamente todos aqueles que chegavam a Ele de coração sincero. Haviam pescadores, cobradores de impostos, mestres da Lei, prostitutas, mulheres piedosas, sábios, pessoas simples, ricos e pobres, e Jesus lhes amava. O amor de Jesus gera mudança de vida, gera a própria vida. O Amor de Jesus reunia todas essas pessoas que achavam que nunca poderiam estar no mesmo lugar. E é esse amor que Ele nos deixou. O Espírito Santo, o Amor de Jesus e do Pai, é o que nos faz caminhar no ecumenismo e perceber que, realmente, o Amor de Jesus nos une.
Termino essa primeira parte de nosso estudo com mais um parágrafo deste documento de nossa Igreja. Que ele incentive nossos corações e, principalmente, nos cure das barreiras que criamos ao longo da História contra o Ecumenismo:
“7. Não há verdadeiro ecumenismo sem conversão interior. É que os anseios de unidade nascem e amadurecem a partir da renovação da mente (24), da abnegação de si mesmo e da libérrima efusão da caridade. Por isso, devemos implorar do Espírito divino a graça da sincera abnegação, humildade e mansidão em servir, e da fraterna generosidade para com os outros. «Portanto – diz o Apóstolo das gentes – eu, prisioneiro no Senhor, vos rogo que vivais de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos uns aos outros em caridade, e esforçando-vos solicitamente por conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz» (Ef. 4, 1-3).” (Unitatis Redintegration)
Recomendo a todos que leiam o Documento, disponível em: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decree_19641121_unitatis-redintegratio_po.html
E que também me enviem para carol.adorai@gmail.com seus estudos particulares sobre o Documento Unitatis Redintegration, suas dúvidas, testemunhos. Para nós é muito importante saber o que Deus tem falado aos seus corações. Isso também é Ecumenismo!!!
Que o Espírito nos ensine…
No Amor do Amado
Carol